SYLVA KOSCINA (Zaagreb Yugoslavia 22AGO1933)

 


















Sylva Koscina é um paradoxo. Dona de uma beleza estonteante e de talentos dramáticos extremamente limitados, ela conseguiu, com um jogo de cintura admirável, se adequar às inúmeras viradas do cinema italiano ocorridas entre os Anos 1950 e os Anos 1990, e sobreviver bravamente a todas elas, sem jamais perder o apoio do público.

 

Nascida no antigo Reino da Iugoslávia,  de pai grego e mãe polaca, Sylva emigrou bem jovem para a Itália. Descobriu as Artes Cênicas na escola, mas, por insistência dos pais, acabou estudando Medicina. Mas como era uma mulher de uma beleza rara, Sylva vivia recebendo propostas para fazer testes para ensaios fotográficos e para cinema. Num desses testes, ofereceram a ela um pequeno papel num filme do popularíssimo comediante italiano Totó. E assim ela estreou, aos 22 anos, em 1955, em Siamo Uomini o Caporali?, dirigido por Camillo Mastrocinque. No mesmo ano, foi escalada como protagonista para o drama Il Ferroviere, de Pietro Germi, sendo saudada por crítica e público como a resposta do Cinema Italiano a Marilyn Monroe.

 

Fez filmes dos mais diversos tipos em seus primeiros 10 anos de carreira: filmes juvenis, comédias românticas, dramas sociais, filmes de espionagem, spaghetti-westerns, thrillers de vários tipos, filmes bíblicos, e até alguns filmes de valor. Participou de obras de Ettore Scola (“Permita-nos Falar de Mulheres”) e de Federico Fellini (“Julieta dos Espíritos”), e chegou até a rodar um filme no Brasil: “Copacabana Palace”, uma comédia turístico-romântica muito datada, mas bastante divertida.

 

Mas então, por volta de 1966, começou a receber convites para filmar em Hollywood, e lá foi ela. Contracenou com Paul Newman, Kirk Douglas e vários outros atores de renome. Mas quando estava começando a pegar gosto pela ideia de virar Estrela em Hollywood, os convites começaram a escassear, e ela acabou voltando para a Itália. Apesar da decepção inicial, essa volta à Itália foi muito boa para a carreira dela, pois passou a ser chamada com frequência para atuar em filmes de diretores de prestígio, como Dino Risi, Mario Monicelli e Luigi Comencini. Paralelo a isso, ganhava rios de dinheiro atuando em filmes policiais e comédias eróticas que enchiam salas de cinema pelo mundo afora. Nas comédias, ela contracenava frequentemente com seus amigos Alberto Sordi, Nino Manfredi, Ugo Tognazzi e até Lando Buzzanca, grande estrela do cinema italiano na época.

 

Graças a essa versatilidade, Sylva Koscina continuou recebendo convites para atuar em filmes nos Anos 1980 -- um momento crítico e lamentável para o Cinema Popular Italiano, que trocou a produção de thrillers e comédias eróticas por filmes declaradamente pornográficos. Antes que Sylva começasse a receber convites para participar de filmes desse tipo, e se aborrecesse, ela aproveitou a deixa e, pouco a pouco, começou mudar de mala e cuia para as salas de teatro, onde brilhou intensamente nos últimos quinze anos de sua carreira.

 

Mais do que qualquer outra atriz no Cinema Italiano, Sylva Koscina deixou uma legado considerável: nada menos que 104 filmes rodados em 39 anos de carreira. Convenhamos: não é pouca coisa (Manuel Mann)




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